Participando de evento no Brasil, o vencedor do prêmio Nobel de Economia e professor da Universidade de Columbia, Joseph Stiglitz, disse que a taxa de juros brasileira é “chocante” e mataria “qualquer economia”.
Para o economista, uma das vozes que têm se manifestado contra o aperto monetário utilizado em todo o mundo para conter a inflação, o país só tem sobrevivido a este cenário devido à atuação dos bancos públicos.
“A taxa de juros de vocês (Brasil) é de fato chocante. Uma taxa de 13,7%, ou 8% real, é o tipo de taxa de juros que vai matar qualquer economia. É impressionante que o Brasil tenha sobrevivido a isso, que seria uma pena de morte”, disse.
“E parte da razão disso é que vocês têm bancos estatais, como o BNDES, que tem feito muito com essas taxas de juros, oferecendo fundos a empresas produtivas para investimentos de longo prazo com juros menores”, disse Stiglitz.
Crítico da política monetária que usa juros para conter inflação sem observar efeitos negativos sobre investimento, Stiglitz fez duras críticas à condução do Banco Central brasileiro nos últimos anos, mas sem mencionar diretamente a autoridade monetária. “Um Banco Central independente e com mandato só para inflação não é o melhor arranjo para o bem estar do país como um todo”, chegou a dizer.
A política de alta dos juros no Brasil – que tem destruído a economia e prejudicado o setor empresarial e a população – tem sido uma marca do atual presidente do Banco Central do Brasil, o bolsonarista Roberto Campos Neto. Infelizmente, por conta da Lei de Autonomia do Banco Central, sancionada em 2021, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem poder para trocar o presidente do BC, que tem mandato até dezembro de 2024.
Crescimento travado
Stiglitz afirmou que, se o Brasil tivesse política monetária mais razoável, teria tido crescimento bem maior que o registrado nas últimas décadas.
Isso porque os juros altos desencorajaram investimentos, inclusive os necessários para promover uma transição verde na economia.
“A necessidade de se adaptar à transição verde e reduzir a desigualdade torna ainda mais urgente buscar modelos econômicos alternativos. As questões do Brasil são mais urgentes do que em outros países ao redor do mundo. O Brasil sempre foi descrito como o país do futuro, mas o futuro continua sempre deixado para o futuro”, afirmou Stiglitz.
O economista criticou o governo Jair Bolsonaro. Afirmou que houve piora no cenário de baixo crescimento do Brasil nos últimos quatro anos, quando o país teve um “presidente não indutor de crescimento econômico”. Segundo ele, as taxas de crescimento seguiram deprimidas enquanto desemprego e informalidade se mantiveram em níveis altos, de 13% e 40% respectivamente, com queda na renda das famílias.
(Fonte: Exame)