Os dirigentes e as principais lideranças do PT consideram que as tentativas da extrema-direita sul-mato-grossense de barrar candidaturas femininas do campo democrático são confissões inequívocas de aversão ao protagonismo das mulheres, somada a uma reação natural aos recentes dados das pesquisas de intenção de voto.
A manifestação se refere a uma ação impetrada por partidos de direita, propondo a impugnação da professora Maju Cordeiro, uma das suplentes na chapa do o deputado federal Vander Loubet, candidato do PT a senador. Os principais partidos do bloco direitista – e que estão à frente desta demanda – são o PL, do ex-governador Reinaldo Azambuja e do ex-deputado Capitão Contar, e o PP, do governador Eduardo Riedel e da senadora Tereza Cristina.
Presidente regional do PT, Vander acha difícil crer que esse tipo de procedimento ainda seja adotado em uma disputa eleitoral, processo que precisa ser uma afirmação do estado democrático de direito. Mais grave e preocupante é denotar que, além do aspecto eleitoral contido na pesquisa de intenções de voto, barrar candidaturas femininas pode significar ato de violência de gênero e de misoginia.
Vander não devolve com a mesma moeda a ação direitista, que é, para muitos, um esforço desesperado de excluir a concorrência por meios questionáveis. Mas admite que existem outras tentativas de bloqueio ao avanço da campanha do campo democrático, formado em Mato Grosso do Sul por PT, PV, PCdoB, PDT e PSB.
A senadora Soraya Thronicke (PSB), candidata à reeleição, é alvo de ataques sistemáticos e violentos, inclusive com uso de fake news, com a propagação de informações mentirosas sobre sua candidatura. Mesmo com a campanha ainda no início, em lugar de debates abertos, propositivos, democráticos, com a confrontação de ideias, ainda há quem se ocupe com práticas rasteiras e diversionistas para contaminar o processo e provocar um grave retrocesso ao país.
Um dado significativo que reforça estas avaliações pode ser aferido facilmente: é o tratamento que as mulheres recebem da extrema-direita e do campo democrático nestas eleições. Enquanto as chapas majoritárias lideradas pelo PL e PP não têm mulheres em sua composição, no campo democrático elas são maioria. Na chapa de Vander, as duas vagas de suplentes são ocupadas por mulheres, as professoras Maria Diogo, de Três Lagoas, e Maju Cordeiro, de Dourados. Além disso, a candidata a vice-governadora na chapa de Fábio Trad é a professora e ex-primeira-dama do Estado Gilda Maria Gomes dos Santos. A outra vaga para o Senado é disputada por Soraya Thronicke, postulante à reeleição.
Texto: Edson Moraes Edição: Éder F. Yanaguita Foto: Karine Stefanini